No dia 25 de março de 1922, há exatos 88 anos, um grupo de operários se reunia para fundar o Partido Comunista do Brasil. Naquela reunião de um punhado de lutadores, começava a se construir uma das páginas mais importantes da História de lutas do povo brasileiro, história que se funde com a resistência do nosso Povo desde meados do século XX até os dias de hoje.
Durante os 88 anos que celebramos nesta sessão solene, apenas 25 foram vividos na legalidade; portanto, esta noite, os 25 anos de legalidade do partido comunista do Brasil também são motivo de comemoração. Eu mesmo entrei no PCdoB em 1986, com o partido já na legalidade em que vivemos na atualidade.
Quando acordei hoje pela manhã, no trajeto até esta casa e já tomada pelos preparativos da comemoração de hoje, fiquei pensando no quanto o PCdoB representou e representa para este país, para o povo de todos os lugares da nação. Lá em 1986, me filiei ao partido com as expectativas de uma jovem vinda do interior do Estado que encontrou a luta do povo na cidade grande. Eram as expectativas de toda uma geração que tentava se despedir, de uma vez por todas, dos tempos difíceis da ditadura militar e dos coronéis que os serviam, tempos que precisam ser lembrados eternamente para que não se repitam nunca mais. Naquela nascente redemocratização se inaugurava um novo tempo para o Brasil e para o povo Brasileiro. Ali, como muitos e muitas que estão aqui hoje, uma jovem mulher virou militante das causas do povo. Ali, comecei A conhecer na prática o significado de uma famosa frase que se pronuncia por aqui: “Onde tem luta, tem PCdoB.”
Os comunistas e as comunistas em todo o país também comemoram hoje 25 anos da legalidade a qual me referi a pouco, além das nossas mais de oito décadas de trabalho árduo e combativo, de luta contínua, mesmo nos momentos mais difíceis. Mesmo nos muitos anos de ilegalidade, demonstramos firmeza e compromisso com nossos ideais, como quando nossos dirigentes tombaram na chacina da Lapa, episódio em que a famigerada ditadura da época comemorou o fim de nossa organização; quando muitas e muitos de nossos camaradas tombaram em defesa da liberdade. Como este plenário lotado pode demonstrar, sobrevivemos. E sobrevivemos também para exigir que a verdade sobre as condições em que muitos de nossos militantes desapareceram seja finalmente contada. O Brasil deve essa verdade a seu futuro.
Estamos aqui hoje não só para celebração, mas para lembrar 88 anos sem descanso em defesa da unidade da classe operária e pela unidade nacional, visando sempre o bem estar de nosso povo, travando árduas e importantes lutas:
Pela democracia e contra os regimes ditatoriais que assolaram o Brasil, lutas estas travadas por companheiros e companheiras que, mesmo correndo risco de se afastarem da família, de perderem seu emprego, de serem presos, torturados e até mortos - como foi o caso do jovem fortalezense Bergson Gurjão, a quem ano passado prestamos uma homenagem póstuma por ocasião do sepultamento de seus restos mortais e de tantos outros companheiros e companheira que tombaram nesta luta – não se intimidaram e se tornaram verdadeiros heróis e heroínas do povo brasileiro, cujo sacrifício contribuiu decisivamente para estarmos aqui hoje lotando esta casa e falando livremente nesta tribuna, vivendo em um país em plena construção de sua cidadania. Em memória daqueles e daquelas que deram suas vidas em nome de um país livre, solicito uma salva de palmas.
Também lutamos no passado e no presente pelas garantias de direitos e a emancipação humana com igual tratamento as mulheres, aos negros, aos indígenas, as pessoas com deficiência, à infância, a juventude e a todos que foram e que, em muitas situações, ainda são descriminados neste país, neste estado e nesta cidade.
Foram tantas batalhas já realizadas e ainda há tantas a serem travadas por militantes comunistas que permanecem firmes e fiéis aos interesses do povo e aos que acreditam numa sociedade mais humana: a sociedade socialista.
Nas palavras de um grande dirigente de nosso partido, José Reinaldo de carvalho, na luta de todos os homens e mulheres que acreditam no “aprofundamento e ampliação da democracia no Brasil, em defesa e reforço da soberania nacional, pelos direitos dos trabalhadores e do povo, pelo progresso social, a solidariedade internacional, o combate à opressão capitalista e ao domínio do mundo pelo imperialismo”.
E é também por isso que estamos aqui, para convidar todos os homens e mulheres comunistas, todos os nossos aliados, amigos e amigas, todo o povo de Fortaleza, do Ceará e do nosso Brasil, para juntos, continuarmos uma História de resistência contra o sistema político do estado burguês, contra o capitalismo monopolista, contra o imperialismo em crise permanente e comprometedor do futuro da humanidade. Um sistema que se mostrou e se mostra incapaz de melhorar a vida da maioria dos povos, incapaz de promover melhorias relativas na qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras que o constroem dia a dia. Este sistema reacionário e bárbaro não mudará a menos que nos unamos contra ele. Hoje, mais do que nunca, é preciso avançar na unidade popular.
Por isso, não confiamos nas forças do oportunismo que tentam acariciar o povo com pequenas migalhas sem intenção real de atacar o poder dos monopólios na economia, nos meios de produção. Nosso trabalho deve gerar progresso e desenvolvimento, não miséria e desigualdade.
A todos os homens e mulheres aqui presentes convidamos a levantarmos nossas vozes para dizermos em alto e bom tom para os que oprimiram e ainda oprimem nosso o povo:
Não nos renderemos no passado, não nos renderemos jamais. Viva o socialismo. Viva ao Partido Comunista do Brasil!
Eliana Gomes