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FORTALEZA 284 ANOS
Eliana enxerga reconstrução da cidade
15 de Abril de 2010 às 07:58
 
 

A vereadora Eliana Gomes (PCdoB) destacou na sessão da Câmara Municipal, nesta quarta-feira(14), o aniversário de 284 anos de Fortaleza. Segundo ela, foi mais um aniversário de festas, lembranças históricas, da construção e reconstrução de uma cidade que tem a marca das lutas do seu povo em busca de uma vida melhor. “A cidade vem sendo erguida dia a dia para que não haja exclusão social, para que não tenha preconceitos, nem desigualdades”.

 

Eliana Gomes, que veio de Canindé para Fortaleza em busca de uma vida melhor, salientou que os atores sociais vêm se organizando para estabelecer e fazer crescer o debate político com a diversidade do povo que mora na Capital. “São milhares de Marias, Joãos, Franciscas e Josés que vivem aqui todos os dias, trabalhando, se divertindo e, estudando e criando seus próprios filhos numa rotina incansável”, afirmou.

 

Atualmente, prosseguiu a vereadora Eliana, os movimentos populares estabelecem uma pauta política que tem como eixo principal a democratização do direito à cidade. Democratizar o direito à cidade, na opinião dela, significa tratar de questões que se situam na defesa, preservação e ampliação de nossas áreas verdes, espaços e praças públicas, na proteção do meio ambiente, dando exemplos efetivos nas políticas públicas.

 

Programas como o Minha Casa, Minha Vida foram destacados pela vereadora. Ela enfatizou ainda o aperfeiçoamento da legislação urbana, citando o Plano Diretor e seus acessórios legais. Fortaleza vem ganhando na gestão da prefeita Luizianne Lins. A vereadora entende, porém, que é preciso continuar firme para fazer das conquistas o desafio de erguer uma cidade cada vez melhor. “Renovamos nossas esperanças e nos dispomos a ajudar para que as forças progressistas façam de Fortaleza, do Ceará e do Brasil um lugar melhor para se viver”, concluiu.
 

Reportagem Iran Soares

 

Confira o discurso da vereadora na íntegra:

FORTALEZA 284 ANOS

Ontem Fortaleza comemorou 284 anos. Mais um aniversário de festas, lembranças históricas, da construção e reconstrução de uma cidade que tem a marca das lutas de seu povo em busca de uma vida melhor. A cada ano, o dia 13 de abril é um marco abraçado pelos movimentos populares em favor de uma cidade erguida dia a dia para que não haja exclusão, que não existam preconceitos nem desigualdades, que nosso município se desenhe como um grande lar para todos e todas que nasceram ou escolheram a “irmã do sol e do mar” para viver. É, portanto, um momento para que passado, presente e futuro se encontrem para pensarmos em nossa cidade.
 

Nos últimos anos, os muitos atores sociais vêm se organizando a fim de estabelecer e fazer crescer o debate político com a diversidade do povo que mora na capital do Ceará. São milhares de Marias, Joãos, Franciscas, Josés que vivem aqui todos os dias, trabalhando, se divertindo, estudando e criando seus filhos e filhas numa rotina incansável que muitas vezes deixa pouco tempo para que saibamos mais sobre a grande face humana que ergueu, ergue e erguerá esta Fortaleza.


Atualmente, os movimentos populares urbanos fortalezenses estabelecem uma pauta política que tem como eixo principal a democratização do direito à cidade. E democratizar o direito à cidade significa tratar de questões que se situam na defesa, preservação e ampliação de nossas áreas verdes, espaços e praças públicas; na proteção do meio ambiente, dando exemplos efetivos nas políticas públicas de gestão de resíduos sólidos e de preservação de nosso patrimônio ambiental tão ameaçado; na garantia de produção de moradia digna com regularização fundiária e titularidade feminina e na efetivação de programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida; no aperfeiçoamento da legislação urbana, como o Plano Diretor e seus acessórios legais,  com a responsabilidade de honrarmos o compromisso coletivo com uma cidade que faça de sua história referência para um presente e um futuro melhor, que contribua decisivamente para seu próprio destino e o crescimento do Ceará e do Brasil.


Falando nos destinos do Brasil, muitos filhos e filhas de nossa terra dedicaram suas vidas para que nossa nação buscasse caminhos mais democráticos através da história. Foi assim quando Fortaleza abrigou parte da Confederação do Equador. Foi assim quando o valente Chico da Matilde se negou a desembarcar aqui seres humanos criminosamente escravizados. Foi com a luta de muitos fortalezenses que nossa cidade ganhou fama de libertária, de cidade vermelha. Pois no último dia 12 de abril, um dia antes do aniversário de Fortaleza, mais um dos episódios históricos onde gente nossa lutou completou 38 anos: a guerrilha do Araguaia. Cearenses como Bergson Gurjão, Jana Barroso, Custódio Saraiva e Teodoro de Castro lá tombaram bravamente. Aproveito este momento para lembrar aquele período de bravura e sugerir que esta casa honre sua tradição progressista apoiando medidas que visem esclarecer toda a verdade sobre o que realmente ocorreu no Araguaia, bem como em todas as atrocidades cometidas contra lutadores e lutadoras do povo pelo arbítrio que assolou o Brasil, o Ceará e Fortaleza naqueles tempos. Sem conhecer toda a verdade sobre nosso passado, nosso hoje terá pouco o que contar para o amanhã.


Voltando a Fortaleza: um estudo recente da ONU, feito para o Fórum Mundial Urbano, aponta que a capital do Ceará é uma das cidades mais desiguais do mundo, atrás apenas de cidades africanas. No Brasil, ela está atrás de outras grandes cidades. Como não lembrar esse dado no momento em que celebramos exatamente a cidade? Como não lembrar que, nas últimas décadas, Fortaleza se tornou ainda mais importante para o Brasil, porém ainda precisamos trabalhar muito para vencer o triste legado de desigualdades que herdamos de séculos de concentração da maior parte do bolo econômico e social na mão de poucos membros de uma elite pouco ou nada disposta a distribuir riqueza e recursos de forma igualitária. Ela já faz parte das 100 maiores do mundo. Contraditoriamente, está num dos Estados mais pobres da nação, igualmente vítima histórica do descompromisso de uma minoria que imaginava ser dona de tudo ao seu redor. Em estudo do IBGE sobre a região de influência de cidades, é a terceira região metropolitana do Brasil, com quase 20 milhões de habitantes. Acima de Fortaleza, só São Paulo e Rio. Esta, senhoras e senhores, é a cidade sobre a qual devemos refletir e, principalmente, buscarmos formas de propor seu desenvolvimento com participação popular para que não se perpetuem os erros que nos deixaram uma enorme desigualdade social como herança nefasta. Sim, pois a representação da minoria que nos legou tal herança permanece viva e atuante, sempre disposta a se apropriar daquilo que julga seu: nosso patrimônio como povo e cidade. Tais ameaças são desafios permanentes para a unidade popular em nosso lar coletivo.


Unidade cujos parlamentares, gestores públicos e militantes das causas do povo que lutam pela reabertura das creches comunitárias, por equipamentos que cumpram a função fundamental na vida das mulheres na cidade, por melhorias dos equipamentos de saúde; por mais qualidade na educação pública; pela atenção aos direitos de nossas crianças e adolescentes; por mais e melhores iniciativas que incluam plenamente toda a nossa rica diversidade, das pessoas com deficiência até as pessoas de todas as raças, credos e orientações sexuais; pela ampliação do direito ao esporte, ao lazer e à cultura, todos e todas têm responsabilidade com a cidade que chamamos de lar. O aniversário é esse momento de responsabilidades, o momento de nosso lar ser mais cuidado por quem sempre busca fazê-lo digno de abrigar seus milhões de habitantes.
Fortaleza vem ganhando na gestão atual, mas precisamos continuar firmes para fazer dessas conquistas o desafio de erguer uma cidade cada vez melhor. Hoje, renovamos nossas esperanças em nossa terra, assim como nos dispomos a ajudar para que as forças progressistas continuem fazendo o Ceará, o Brasil e nossa cidade crescerem ainda mais.
 

“Fortaleza, Fortaleza, sempre havemos de amar”. Parabéns pelos 284 anos.


 

Fonte: site da CMF

 

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